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sábado, 9 de abril de 2016

Como os museus se abrem ao mundo pela internet



A era digital e a internet criaram uma plataforma global para a projeção dos nossos bens museológicos.

Luís Ramos Pinto | Publico

Em 2013, o New York Times perguntou a Taco Dibbits, diretor das coleções do Rijksmuseum (o museu mais visitado da Países Baixos), como é que ele se sentiria se uma imagem do Johannes Vermeer fosse impressa em papel higiénico: "Se quiserem colocar uma obra do Vermeer no seu papel higiénico, eu prefiro que a imagem seja de boa resolução", disse. Esta resposta é fruto de uma estratégia digital adotada pelo museu, da utilização de conteúdos de alta resolução e completamente livres para reutilização.

No caso do Rijksmuseum, tudo começou com o encerramento do museu para obras que duraram dez anos. Permitindo assim libertar os recursos humanos necessários para que uma grande digitalização de conteúdos fosse disponibilizada. Tendo um acervo de cerca de um milhão de peças, e espaço físico para exposição de apenas oito mil, a colocação das peças na Internet parece portanto, um passo natural para dar maior projeção às peças em acervo.

Um passo muito significativo foi dado quando em 2011 o museu decidiu que todas peças colocadas online estivessem devidamente assinaladas como estando no domínio público. Hoje em dia, já se encontram mais do que 247 mil peças no site do museu, e a ideia é de que sejam digitalizadas 40 mil peças por ano, para que a coleção possa estar disponível na íntegra. Para incentivar a reutilização das imagens, em 2013, o museu lançou uma ferramenta chamada "RijkStudio", permitindo, entre outras coisas, que os utilizadores criem exposições virtuais.

Esta estratégia tem provado ser benéfica em muitos aspetos. Primeiro, os conteúdos de alta resolução fazem com que haja menos cópias de baixa qualidade pouco fiéis na Internet. O facto de estarem no domínio público permite que as grandes plataformas, como a Wikipédia, as possam utilizar com facilidade e conscientes de que estão a operar dentro da legalidade dos direitos de propriedade intelectual. Adicionalmente, partindo do princípio de que, quantas mais vezes a peça for reutilizada, mais ligada vai estar com outros conteúdos, permitindo assim maior disseminação da mesma na Internet. E, acima de tudo, quanto mais a peça for utilizada, maior a projeção dada ao museu em termos de marketing.

O modelo de conteúdos de alta resolução de livre uso está agora a ser adotado por outros museus, como o Statens Museum Kunst na Dinamarca, que disponibilizou cerca de 160 peças em alta resolução. Em 2013, a administração dos museus estatais da Suécia (Livrustkammaren och Skoklosters slott med Stiftelsen Hallwylska museet) criou o Open Image Archive Project em que disponibilizou todos os seus conteúdos livres de restrições de propriedade intelectual, com enorme sucesso, especialmente relativamente ao uso dos mesmos na Wikipédia. Tal é a importância dos conteúdos abertos que a American Alliance Museums criou um prêmio na área da tecnologia chamado Open Culture award para os museus que melhor promovam os seus conteúdos abertamente.

Em Portugal, disponibilizaram-se, recentemente, nove peças emblemáticas em alta resolução na modalidade de domínio público através do portal de conteúdos patrimoniais financiado pela União Europeia — Europeana Collections. Este é um grande passo, pois disponibiliza obras de relevo como os Painéis de S. Vicente de Fora de Nuno Gonçalves e a Natureza Morta com Doces e Barros de Josefa de Óbidos, entre outras. No entanto, para assegurar a sustentabilidade e o acesso às mesmas, é importante que as peças se tornem também disponíveis no site dos museus, seus fiéis depositários.

A era digital e a Internet criaram uma plataforma global para a projeção dos nossos bens museológicos. Como tal, não podemos perder esta oportunidade e facilitar a acessibilidade do mundo aos seus conteúdos patrimoniais. Um pequeno grande passo seria obedecer à lei de propriedade intelectual. Segundo a lei portuguesa, a obra do artista entra no domínio público 70 anos depois da morte do autor. Porém, poucas peças de museu estão assinaladas como tal. Deve-se procurar incentivar um maior debate sobre a questão do domínio público no meio museológico, dado que na era de informação o reconhecimento do mesmo está a tornar-se cada vez mais uma boa prática museológica.

domingo, 10 de junho de 2012

10 telas de Georgia O'Keeffe


Georgia Totto O'Keeffe (Sun PrairieWisconsin15 de novembro de 1887 – Santa FeNovo México6 de março de 1986) foi uma pintoraestadunidense.
Estudou pintura no Art Institut of Chicago e mais tarde na Universidade de Columbia em Nova Iorque. Enquadrada na pintura modernista tem telas onde pinta os sedutores arranha-céus que nos finais do século XIX encantaram também outras pintoras como Tamara de Lempika. Em 1916 conheceu o fotógrafo Alfred Stieglitz. Casariam em 1924 e Georgia começou por expor no seu atelier de Nova Iorque.
As suas telas de paisagens e flores foram muito apreciadas a partir de 1928. Georgia é muito justamente considerada uma das pintoras norte-americanas de maior sucesso do século XX.










domingo, 13 de maio de 2012

Primeiro festival de cinema sob licença Creative Commons na Cidade do México


De 9 a 14 de julho, os moradores da Cidade do México vai apreciar o seu primeiro festival de cinema sob licenças Creative Commons (CC CMX) . Este é um espaço que será exibido obras audiovisuais, curtas-metragens, longas-metragens, documentários, que estão sob tais licenças de propriedade intelectual com o objectivo de criar uma rede de distribuição para novos criadores. O que é a diferença neste ciclo com o resto do negócio na cidade? Para entender sua importância, é necessário entender um pouco sobre as licenças Creative Commons .

O que é Creative Commons?

Em 2001 veio "Creative Commons, uma organização não governamental sem fins lucrativos, liderada por Lawrence Lessig, professor de Direito na Stanford University. A idéia do projeto foi desenvolver um grupo de licenças de propriedade intelectual (mais conhecido como comuns licenças criativas de bens) menos rigoroso do que no presente, compatível com as várias jurisdições do mundo, e para permitir que o autor para fornecer flexibilidade ao seu trabalho. As licenças Creative Commons são projetados para um modelo de distribuição com base na cópia, em um mundo onde a reprodução ea distribuição de obras estão disponíveis para todos os processos.
Ao longo de mais de uma década, as licenças foram traduzidos e adaptados para serem compatíveis com diversas legislações do mundo, incluindo Espanha, México e Argentina. Licenças Creative Commons permitem que o autor a colocar certas condições em seu trabalho, como o liberdade para o jogo sob atribuição, criar obras derivadas ou restringir a comercialização. Os termos são baseados em copyleft neologismo cunhado, em contraste com o autor, um conjunto de palavras cujo significado pode ser traduzido como "permissão para copiar" (ou no sentido literal, o autor à esquerda).

Onde é que o festival?

O festival de cinema na Cidade do México é uma cópia do Criativo NCCB Barcelona Commons Festival de Cinema . O evento espanhol é a partir de 2010 e está registrado sob uma licença Attribution Noncommercial - Share Alike (CC-NA-SA). Isto significa que qualquer pessoa no mundo pode organizar um festival similar, desde que se reúne duas condições:
  • O licenciado tem o direito de copiar, distribuir, exibir e executar a obra e fazer trabalhos derivados para fins não comerciais.
  • O licenciado tem o direito de distribuir trabalhos derivados sob uma licença idêntica à licença que rege o trabalho original.
Festival de Barcelona terá sua terceira edição nos dias seguintes (10 a 13 de Maio). Além da capital mexicana, outras cidades que já sediaram o ciclo deste ano foram Madrid (19-22 de Janeiro), Lima (28 fevereiro-2 março) e Buenos Aires (13 a 16 de Março).

Qual é o CMX DC?

O CC CMX será mostrado em diferentes locais do Centro Histórico do México, Espanha Centro Cultural, Museu Nacional de Arte da Universidade do Claustro de Sor Juana, entre outros. Além dos filmes, haverá um workshop sobre o uso de licenças Creative Commons em projetos audiovisuais (muito importante para jovens diretores) e um par de mesas-redondas temáticas: "Cinema na era da Internet" e "Os espaços no cinema " . Se eu não tenho nenhuma dúvida sobre o CMX-DC como se inscrever, como participar com seus trabalhos, pode contactar os organizadores diretamente no site do festival.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Novas imagens de Banksy em Londres


Novas imagens do misterioso e genial artista urbano Banksy nas paredes de Londres. Clique nas imagens para ampliar.






Fonte: http://www.fubiz.net/

domingo, 30 de outubro de 2011

Dez telas de Felix Nussbaum, pintor e vítima do Holocausto

O Triunfo da Morte - 1944

Felix Nussbaum (nascido em 11 de Dezembro de 1904 em Osnabrück, falecido a 2 de Agosto de 1944 em Auschwitz) foi um pintor alemão de religião judaica, com várias obras que ilustram os horrores do Holocausto, do qual ele foi vítima. Estudou em Hamburgo e Berlim, arte, livre e aplicada (freie und angewandte Kunst). Nos anos 1920 e 30 as suas exposições em Berlim tiveram grande sucesso. Com a chegada ao poder dos Nazis em 1933, foi obrigado a viver no exílio, em Itália, França e finalmente na Bélgica (Bruxelas) com a sua mulher, a polaca Felka Platek, com quem casou em 1937. Com a ocupação pelos alemães e o regime de Vichy, foi internado num campo de concentração em França. Conseguiu no entanto fugir com a sua mulher e esconder-se na casa de um amigo, também um artista, em Bruxelas. Foi traído e denunciado em Junho de 1944 e imediatamente preso, juntamente com a sua mulher. Foi levado para campo de concentração de Malines (ou Mecheln) de onde foi levado para Auschwitz, onde foi assassinado em 2 de Agosto de 1944, presumivelmente com a sua mulher.


Fonte: Wikipédia




TELAS 
(clique nas imagens para ampliar)

 Maler im Atelier 1931

Selbstbildnis mit Judenpass 1943

Selbstbildnis mit grüner Mütze 1936

Auto-retrato com máscara, 1928

Selbstbildnis im Totenhemd, 1942

O refugiado 1939

Jewish Boy with a Badge

Surrealistic Landscape


Peur 1941

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Exposição mostra como Oswald de Andrade antecipou discussão sobre direitos autorais



São Paulo - “Direito de ser traduzido, reproduzido e deformado em todas as línguas” era a frase que vinha na folha de rosto da edição original do romance Serafim Ponte Grande, do modernista Oswald de Andrade. Com a citação, o escritor paulistano entrava em 1933 na vanguarda das controversas discussões sobre direitos autorais. A mensagem também foi usada para abrir a exposição sobre o autor no Museu da Língua Portuguesa, na capital paulista.
“Em 1933, ele já era a favor da cultura livre, quase uma ideia do Creative Commons, comenta o curador adjunto da mostra, Cacá Machado. “Hoje em dia, a gente ainda tem resistência a esse tipo de pensamento. Então, isso é muito radical na postura de um homem de cultura, das letras”, acrescenta.
Aberta no último dia 27, a exposição com o título Oswald de Andrade: O Culpado de Tudo usa elementos de linguagem contemporâneos para retratar a vida e a obra, elementos indissociáveis, do artista. “Há uma dimensão poético-literária, um histórico e uma dimensão pouco conhecida que é a ensaísta”, explica Machado.
A inspiração para a organização vem do poema As Quatro Gares, onde o escritor reflete sobre as quatro fases da vida. “Nossa função foi revelar Oswald de Andrade. Foi trazer a literatura dele e, como essa literatura está muito atrelada à sua vida, não tinha como não falar da vida do Oswald”, conta o curador.
Uma existência agitada, de viajante, segundo Machado, fez com que o artista, um dos idealizadores do movimento modernista brasileiro, tivesse reflexões que continuam pertinentes décadas após sua morte. “O Oswald já está pensando em um mundo globalizado, isso na década de 30”, diz, em referência, entre outras coisas, às famosas ideias de antropofagia, base do movimento iniciado em 1922.
Para Oswald, a garantia de sobrevivência da cultura brasileira está na capacidade de entrar em contato com outras culturas e absorvê-las, em um processo de transformação. “Se a gente não assimila o outro nessa relação, a gente cria uma cultura absolutamente egocêntrica”, comenta  Machado. “No mundo em que a gente vive hoje, isso é absolutamente fundamental”.
Colocando esse pensamento em prática, a mostra convidou o grafiteiro Ganu para reproduzir nas paredes da exposição trechos da fase utopista do escritor que, na velhice, passou a se dedicar a reflexões sobre cultura e comportamento. “É como se fossem hieroglifos. Ao mesmo tempo, é uma relação com a rua”, explica Machado.
Agência Brasil
Via http://www.jb.com.br

sábado, 27 de agosto de 2011

A arte com pranchas de Skate de Haroshi



http://obviousmag.org



O artista japonês Haroshi constrói esculturas de uma perfeição abismal a partir de pranchas de skate partidas. Jogando com a forma e a cor, este é o resultado de anos de experiência, dedicação e uma paixão extrema a este desporto radical.

As imagens aqui apresentadas representam esculturas bem peculiares e de uma dedicação extrema. Todas elas foram construidas usando apenas velhas pranchas de skate como matéria-prima. Mesclando estilos diferentes, este tipo de "reciclagem artística" resulta em mosaicos de madeira de uma perfeição e sensibilidade nipónica.
O artista japonês Haroshi é o responsável por estas peças de arte. Apaixonado pelo skateboard desde a adolescência, interessa-se por todos os pormenores deste desporto radical, principalmente pelos detalhes da prancha: desde as formas côncavas, às rodas de plástico e metal.
Relutante em deitar fora as pranchas velhas e partidas, Haroshi começou a coleccioná-las. Daí a decidir usá-las para o seu trabalho foi apenas um pequeno passo. Hoje, elas tornaram-se o seu instrumento de comunicação e a essência da sua identidade artística. Para construir uma destas peças tridimensionais, o artista utiliza e empilha várias camadas de pranchas curvas, que divergem em forma (dependendo da fábrica, da marca e do modelo). Com experiência, Haroshi começou a dominar esta técnica difícil e consegue hoje diferenciar todos estes tipos de pranchas. Quando escolhe quais usar para cada trabalho, é altura de cortá-las, dar-lhes forma e sentido e poli-las.
O processo usado pelo artista é inspirado na técnica tradicional japonesa de esculpir Budas, em que 90% das peças resultam da sobreposição de camadas de madeira de forma a poupar material e reduzir o peso da estátua. Haroshi inspirou-se também no artista japonês do século XII, Unkei, que colocava uma bola de cristal no interior das suas estátuas de Buda, no local onde deveria estar o coração. Por isso, as suas peças têm uma peça de skate partida no seu interior, invisível do exterior. Escolhida da enorme colecção do artista, este pormenor dá alma às suas criações.
O trabalho de Haroshi tem sido mostrado em várias exposições em diferentes pontos do mundo, a última das quais na Jonathan Levine Gallery, em Nova Iorque. Nesta galeria a sua colecção foi apresentada com o título "Future Primitive", aludindo às raízes tradicionais nipónicas e ao carácter contemporâneo das peças, que usam uma matéria-prima do século XXI e representam imagens presentes na cultura pop, como o Super Mario ou a maçã da Apple.
(Clique sobre as imagens para ampliar)








segunda-feira, 4 de julho de 2011

Acervo digital: galeria de arte online


Acesse o que o Brasil tem de melhor no mundo das artes.
Galeria de Arte é uma seção do Portal Brasil que disponibiliza obras de importantes artistas brasileiros e estrangeiros. Neste ambiente virtual, quadros clássicos e outros trabalhos de autores variados podem ser visualizados sem qualquer restrição, democratizando o acesso da população à arte e à cultura.


O acervo digital foi criado para fomentar a cultura, valorizar artistas que esboçam em suas telas a riqueza natural e cultural do País e preservar a memória brasileira. Para isso, conta com parceiros de peso no Brasil, como o Arquivo Nacional, Banco Central, Caixa, Museu de Arte de São Paulo, Palácio do Planalto, Banco do Brasil, entre outros. Junto com as imagens, o usuário pode acessar informações complementares, como biografia dos autores, ficha técnica dos quadros e curiosidades sobre as obras.

Acesse a Galeria de Arte e conheça a genialidade de artistas como Candido Portinari, Di Cavalcanti, Alfredo Volpi e Tarsila do Amaral, cujas obras impressionam pela originalidade e mostram a beleza do mundo das artes.

Fonte: Brasil.gov

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Cinco telas de El Lissitzky








Lazar Markovich Lissitzky (Лазарь Маркович Лисицкий), ou El Lissitzky (Эль Лисицкий) (23 de novembro de 1890 – 30 de dezembro de 1941) foi artistadesigner gráfico,fotógrafotipógrafoarquiteto e professor. Fez parte da vanguarda russa, seu trabalho influênciou a Bauhaus, o construtivismo e o De Stijl.
Com seus trabalhos, propunha uma atitude construtiva que buscava uma aproximação das abordagens metafísica do suprematismo e materialista do construtivismo russo.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O conceito de Transmídia avança na literatura


Imagine um livro em que a história transpõe as suas páginas e expande para vários outros meios de comunicação, como TV, internet, rádio, telefone, etc. Imagine que a narrativa é construída de forma a ser acompanhada, simultaneamente, em outras mídias, que servem de suporte ao argumento central, ou a outras subnarrativas que se desenvolvem em planos paralelos. Pense nisso. Um romance cuja narrativa está espalhada por diferentes mídias, e que se completam fazendo com que o leitor acompanhe o enredo, ora lendo mais sobre um personagem num site, ora conhecendo detalhes sobre outro através do twitter, ou vendo no YouTube a “rua em que se passa o crime”, por exemplo. Isso é mais do que multimídia, é Transmedia Storytelling, ou somente transmídia, um formato que vem a galope não só na literatura, mas em quase toda a indústria de entretenimento. Não se trata de contar a mesma história em diferentes mídias, mas utilizá-las para complementar a história.

O escritor espanhol Fernando Marías lança hoje a obra juvenil “El silencio se mueve” (sem data para publicação no Brasil), um livro que já apresenta as primeiras ideias sobre a utilização da transmídia na literatura. A variada temática da obra de Marías, que inclui a relação entre pais e filhos, a morte, a memória histórica, pode ser acompanhada através de várias mídias. O leitor utiliza, além do livro, o site de Juan Pertierra, o protagonista da obra, mostrando como ele aprendeu com seu pai a escutar o silêncio, o que faz com que pessoas como Liza, uma mãe preocupada com o silêncio de sua filha, o chamem em busca de ajuda. A transmídia de Marías conta também com um blog do ilustrador Javier Olivares que investiga sobre a enigmática figura do ilustrador Joaquín Pertierra, pai do protagonista.

O número do telefone de Juan Pertierra também é fornecido. Quando o leitor liga, ele é convidado a visitar seu website para conhecer mais sobre seu dom, podendo deixar uma mensagem ao protagonista. O livro possui ainda, internamente, uma história em quadrinhos sobre a vida de Juan (40 páginas) e um guia de cinema para fornecer dicas sobre a história central. Embora a narrativa seja bem centrada no meio físico, as demais mídias complementam a história ajudando o leitor a desvendar os mistérios do protagonista. Como disse Fernando Marías ao jornal El Mundo: “…o romance pode ser lido e entendido sem um computador, pois a essência da história está no livro impresso, sendo o resto um bônus para enriquecer a narrativa”.  
As narrativas transmidiáticas devem ser encaradas como uma nova e grande oportunidade, pois utilizam tentáculos que se expandem por vários meios de comunicação de massa. No passado, pensava-se que um meio destruiria o outro, ou competiriam de forma canibalesca. Ledo engano, eles vão se completar cada vez mais, criando interligações narrativas que utilizarão desde o meio físico (o livro em si), passando por mídias em franca transformação, como a TV, até chegar ao imenso arsenal derivado da Internet. Como explicou Henry Jenkins, professor do MIT (Massachusetts Institute of Technology) e autor da obra Cultura da Convergência (2009): “Uma história transmidiática desdobra-se através de múltiplas plataformas de mídia. Cada novo texto faz uma contribuição diferente e que valoriza o todo – de modo que uma história pode ser introduzida em filme, expandida através da televisão, livros e histórias em quadrinhos. (…) A leitura através de várias mídias sustenta uma perspectiva de experiências que motivam mais o consumo.” A convergência tecnológica e a transmídia serão utilizadas pelo cinema, pela TV (recentemente, a personagem Luciana da novela Viver a Vida, utilizou em cena um blog real, cujo acesso pelos expectadores foi um grande sucesso), em narrativas publicitárias e, claro, na literatura.
O romance de Fernando Marías, a primeira obra transmídia publicada na Espanha, explora o relacionamento entre mãe e filha, que envolve os mortos sem sepultura da guerra civil espanhola. Justamente essa parte da narrativa (que não é secundária no livro) se conecta a outros romances de Marías que tratam do tema (Cielo abajo e “Zara y el librero de Bagdad”). As diversas tramas paralelas funcionam como satélites gravitando em torno da trama original. Outro exemplo é a série Heroes, um megasucesso da TV que conta com a seção Heroes Evolutions em seu website. Nela o espectador encontra diversas histórias paralelas e desdobramentos do enredo que enriquecem o seriado, mas que não inviabilizam o entendimento de quem só o assiste pela TV.
Marías, 52 anos, várias vezes premiado (Prêmio Primavera de Novela, Prêmio Nacional de Literatura Infantil y Juvenil, Prêmio de Literatura Juvenil Gran Angular), diz que sempre gostou de correr riscos e que a ideia de “El silencio se mueve” é revolucionar a literatura juvenil. Não duvido. As portas estão apenas começando a se abrir para a transmídia e, com a explosão das redes de relacionamento, as possibilidades de sucesso são evidentes. Se o livro é bom, expandi-lo também será bom.
Kelly de Souza - é jornalista colaboradora da Revista da Cultura e Blog da Cultura. Compulsiva por literatura, chocolate e escrita - não necessariamente nessa ordem.