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domingo, 14 de julho de 2019

A Antologia como equipamento didático na formação e prática de professores: Exposição, defesa e perspectivas



RESUMO

No Brasil, pouca é a literatura crítica sobre o gênero antologia e também sobre seu oficiante, o antologista. A reflexão sobre o gênero decai em ainda maior lacuna quando pensado em correlação com a educação. O presente artigo objetiva: Refletir sobre o conceito de antologia e a figura do antologista; analisar a validade das antologias enquanto equipamento de ensino; fazer a defesa desta modalidade litero-editorial; apresentar perspectivas para sua melhoria enquanto produto editorial; e incentivar a que professores possam proceder à sua confecção e utilização nos processos didáticos nos ensinos fundamental e médio, em todas as disciplinas. O método de pesquisa foi fundamentado em revisão bibliográfica e estudos de caso. Como resultados do presente estudo, pudemos dimensionar a imensa lacuna bibliográfica referente ao tema, notadamente em sua imbricação pedagógica, lacuna que buscamos minorar. Confrontamo-nos ainda com as dificuldades de ordem legal e prática para a ampliação do uso da antologia no processo pedagógico por parte dos docentes, e pudemos tecer proposições críticas e práticas para facilitar e ferramentar professores para a utilização deste gênero. A partir dos resultados obtidos, concluímos pela necessidade de ampliação da reflexão acadêmica e pública sobre o tema da antologia, a ampliação de sua utilização em todo o maquinário escolar e mudanças na legislação do direito autoral que facilitem sua elaboração pelo docente, temas que trazemos à discussão pública. 

PALAVRAS-CHAVE: Antologia; Antologista; Formação de Professores; Teoria da Literatura; Didática

BAIXE O ARQUIVO PELO GOOGLE DRIVE, CLICANDO AQUI.

Sammis Reachers

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Os melhores pensamentos sobre Educação em livro grátis



"Todo o propósito da Educação é transformar espelhos em janelas."
Sidney J. Harris

No e-book A Educação em 365 Frases, reunimos esta e (mais de) 365 outras frases sobre este tema capital para o homem, a Educação.
Indo dos primórdios gregos até grandes pensadores e educadores ainda em atividade, um verdadeiro tesouro de definições e reflexões se oferecem ao leitor, numa obra singular em nossa bibliografia, que visa graciosamente auxiliar a educadores de toda espécie, e ainda estudantes e todo aquele interessado no tema.

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sábado, 2 de julho de 2016

UE exige que todos os artigos científicos se tornem de acesso aberto até 2020

paywall
Recentemente discutimos aqui sobre a briga da Elsevier com o Sci-Hub, o repositório público que agrega e disponibiliza artigos científicos normalmente protegidos por paywall para quem quiser ler, sem a necessidade de carteirada ou de abrir a carteira. A questão principal é: a quem pertence o conhecimento, o pesquisador, à população ou ao periódico que cobra pelo acesso?
A União Europeia entendeu que ele deve ser colocado ao alcance de todos, sem exceção, e por conta disso bateu o martelo e determinou que TODAS as publicações científicas produzidas no bloco, sem exceções sejam colocadas em acesso aberto até 2020.
Como funciona hoje? O pesquisador se mata de trabalhar e estudar para produzir sua pesquisa, e trabalho realizado, é preciso publicá-lo. Entram aí os periódicos de grande nome como a Nature e a Science Magazine, que se não cobram diretamente do pesquisador submetem o artigo a critérios de avaliação malucos, que consideram inclusive o valor de buzz que a pesquisa poderá gerar, o que intensifica a procura, gera mais pageviews e consequentemente mais dinheiro para o periódico.
Caso seja aprovado o trabalho do cientista é indexado e publicado, só que fica protegido atrás de um paywall que cobra pelo acesso (algo que também não é muito simplificado para leigos em alguns casos). A Elsevier, o maior repositório do mundo é ainda mais inescrupulosa, pois cobra quantias do pesquisador que podem chegar a até US$ 1.000,00 para este ter seu trabalho indexado. Ou seja, ela lucra duas vezes.
Ah sim, desnecessário dizer que os periódicos não retornam um tostão ao pesquisador.
Aí você pergunta: por que o pesquisador se sujeita a isso? Por causa do Fator de Impacto: publicar numa Nature ou numa Science causa muito mais impacto na comunidade científica que na PLOS One, que embora libere o acesso também já publicou muito lixo, já que funciona no esquema “pagou, publicou”. Assim temos o bizarro cenário em que o conhecimento é eletivo, só ao alcance de quem pode pagar. Alternativas como o Sci-Hub, que tentam democratizar o acesso são muito bem-vindas mas este é um território nebuloso, já que estamos falando de uma prática ilegal.
E é por causa disso tudo que a União Europeia resolveu por um basta nessa farra. No último dia 27 o Conselho de Competitividade da UE determinou que todos os artigos acadêmicos produzidos por instituições públicas ou privadas do bloco econômico deverão ser disponibilizados em caráter de Acesso Aberto até o ano de 2020. A decisão ainda não tem força de lei mas isso é questão de tempo, 28 países assinaram a resolução (cuidado, PDF) e não tem volta, é aceitar de cabeça baixa ou sofrer as consequências.
Obviamente que os defensores do formato de paywall não estão nada contentes, e para a surpresa de ninguém a Elsevier está liderando o bloco dos reclamões, seguido de perto pelo conglomerado Springer-Nature (responsável pela Nature, obviamente). Ambos defendem o formato de seus negócios mas sinceramente, terão de aceitar resignados que vão perder rios de dinheiro na Europa.
Claro que é um pequeno passo para vermos o cenário ideal de conhecimento livre em todo o globo, mas é um começo. Eu defendo que o conhecimento científico deve sim ser colocado ao alcance de todos e não concordo com a cobrança dos periódicos, que gozam de renome para comercializar bens de coisa pública, que não pertencem a ninguém.
Fonte: Science.

sábado, 9 de abril de 2016

Como os museus se abrem ao mundo pela internet



A era digital e a internet criaram uma plataforma global para a projeção dos nossos bens museológicos.

Luís Ramos Pinto | Publico

Em 2013, o New York Times perguntou a Taco Dibbits, diretor das coleções do Rijksmuseum (o museu mais visitado da Países Baixos), como é que ele se sentiria se uma imagem do Johannes Vermeer fosse impressa em papel higiénico: "Se quiserem colocar uma obra do Vermeer no seu papel higiénico, eu prefiro que a imagem seja de boa resolução", disse. Esta resposta é fruto de uma estratégia digital adotada pelo museu, da utilização de conteúdos de alta resolução e completamente livres para reutilização.

No caso do Rijksmuseum, tudo começou com o encerramento do museu para obras que duraram dez anos. Permitindo assim libertar os recursos humanos necessários para que uma grande digitalização de conteúdos fosse disponibilizada. Tendo um acervo de cerca de um milhão de peças, e espaço físico para exposição de apenas oito mil, a colocação das peças na Internet parece portanto, um passo natural para dar maior projeção às peças em acervo.

Um passo muito significativo foi dado quando em 2011 o museu decidiu que todas peças colocadas online estivessem devidamente assinaladas como estando no domínio público. Hoje em dia, já se encontram mais do que 247 mil peças no site do museu, e a ideia é de que sejam digitalizadas 40 mil peças por ano, para que a coleção possa estar disponível na íntegra. Para incentivar a reutilização das imagens, em 2013, o museu lançou uma ferramenta chamada "RijkStudio", permitindo, entre outras coisas, que os utilizadores criem exposições virtuais.

Esta estratégia tem provado ser benéfica em muitos aspetos. Primeiro, os conteúdos de alta resolução fazem com que haja menos cópias de baixa qualidade pouco fiéis na Internet. O facto de estarem no domínio público permite que as grandes plataformas, como a Wikipédia, as possam utilizar com facilidade e conscientes de que estão a operar dentro da legalidade dos direitos de propriedade intelectual. Adicionalmente, partindo do princípio de que, quantas mais vezes a peça for reutilizada, mais ligada vai estar com outros conteúdos, permitindo assim maior disseminação da mesma na Internet. E, acima de tudo, quanto mais a peça for utilizada, maior a projeção dada ao museu em termos de marketing.

O modelo de conteúdos de alta resolução de livre uso está agora a ser adotado por outros museus, como o Statens Museum Kunst na Dinamarca, que disponibilizou cerca de 160 peças em alta resolução. Em 2013, a administração dos museus estatais da Suécia (Livrustkammaren och Skoklosters slott med Stiftelsen Hallwylska museet) criou o Open Image Archive Project em que disponibilizou todos os seus conteúdos livres de restrições de propriedade intelectual, com enorme sucesso, especialmente relativamente ao uso dos mesmos na Wikipédia. Tal é a importância dos conteúdos abertos que a American Alliance Museums criou um prêmio na área da tecnologia chamado Open Culture award para os museus que melhor promovam os seus conteúdos abertamente.

Em Portugal, disponibilizaram-se, recentemente, nove peças emblemáticas em alta resolução na modalidade de domínio público através do portal de conteúdos patrimoniais financiado pela União Europeia — Europeana Collections. Este é um grande passo, pois disponibiliza obras de relevo como os Painéis de S. Vicente de Fora de Nuno Gonçalves e a Natureza Morta com Doces e Barros de Josefa de Óbidos, entre outras. No entanto, para assegurar a sustentabilidade e o acesso às mesmas, é importante que as peças se tornem também disponíveis no site dos museus, seus fiéis depositários.

A era digital e a Internet criaram uma plataforma global para a projeção dos nossos bens museológicos. Como tal, não podemos perder esta oportunidade e facilitar a acessibilidade do mundo aos seus conteúdos patrimoniais. Um pequeno grande passo seria obedecer à lei de propriedade intelectual. Segundo a lei portuguesa, a obra do artista entra no domínio público 70 anos depois da morte do autor. Porém, poucas peças de museu estão assinaladas como tal. Deve-se procurar incentivar um maior debate sobre a questão do domínio público no meio museológico, dado que na era de informação o reconhecimento do mesmo está a tornar-se cada vez mais uma boa prática museológica.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Como o Brasil pode se preparar para Quarta Revolução Industrial


Economia e sociedade
A edição deste ano do Fórum Econômico Mundial, em curso em Davos, na Suíça, tem como tema central a chamada "Quarta Revolução Industrial".
O conceito descreve economia com forte presença de tecnologias digitais, mobilidade e conectividade de pessoas e de coisas, na qual o valor central é a informação.
Mas, será que o Brasil está preparado para essa nova revolução?
Segundo especialistas, o país se saiu bem na redução de desigualdade social na última década, mas precisa investir mais em educação e inovação para obter ganhos em produtividade e geração de empregos nesta nova economia.
"O grande desafio à frente é manter os avanços sociais e estimular o aumento da produtividade," afirmou Alicia Bárcena, secretária-executiva da Cepal (Comissão Econômica para América Latina e Caribe), órgão ligado à ONU.
Segundo ela, a transição passa por "novos pactos sociais": "É necessário construir novas alianças que transpassem partidos políticos e viabilizem condições para a criação de um novo ciclo de investimento. Integrar mercados regionais em tecnologias-chave, por exemplo com a criação de um mercado digital comum, e o incentivo a cadeias regionais de tecnologias e produtos verdes."
Investimentos em educação
O Brasil tem elevado o investimento direto em educação. No período compreendido entre a virada do milênio e 2013, o total cumulativo investido por estudante ao longo da vida acadêmica, do jardim de infância à universidade, passou de R$ 106 mil para R$ 162 mil. O aumento de mais de 50% tem base em dados do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), vinculado ao Ministério da Educação.
Ainda assim, o Brasil permanece abaixo da média dos países ricos, conforme retrata o Pisa, ranking internacional que avalia a qualificação de estudantes do mundo todo. No levantamento de 2012 foi observado que quase metade dos alunos brasileiros não apresenta competências básicas de leitura.
Além disso, outra análise da mesma organização, mas de 2015, estimou que os estudantes brasileiros são muito fracos na capacidade de navegar em sites e compreender leituras na internet, ficando à frente apenas da Colômbia e dos Emirados Árabes em um ranking com 31 países.
Revoluções Industriais
As três revoluções industriais anteriores tiveram início nos países desenvolvidos, chegando com atraso ao Brasil. A primeira foi a iniciada no fim do século 18, quando água e vapor foram utilizados para mover máquinas na Inglaterra. A segunda veio do emprego de energia elétrica na produção em massa de bens de consumo. A terceira é a do uso da informática, iniciada em meados do século passado.
A revolução atual, aliás, segue na esteira dessa anterior: é caracterizada por sua natureza hiperconectada, em tempo real, por causa da internet. Além das mudanças nos sistemas de produção e consumo e amplo uso de inteligência artificial, ela também traz o desenvolvimento de energias verdes, com menor impacto sobre o meio ambiente.
Mas a transição não necessariamente será suave.
Com essa nova etapa de conexão entre homens e máquinas, haverá uma quebra do modelo de cadeias produtivas e das interações comerciais em que os consumidores poderão atuar como produtores, na chamada Era das Máquinas Livres, fundada basicamente na impressão 3D, ou manufatura aditiva.
Nesse caminho, porém, mais de 7 milhões de empregos serão perdidos no sistema tradicional, segundo relatório do Fórum Econômico Mundial.
Brasil na Quarta Revolução Industrial
Como o Brasil poderia se preparar para esse momento?
"Idealmente, deveria implementar políticas de fortes incentivos que nivelem por cima, não apenas na área de formação e capacitação de trabalhadores para o uso de novas tecnologias, mas priorizando também investimentos em pesquisa e desenvolvimento para que o país não se torne um mero consumidor de tecnologias," sugere Vanessa Boana Fuchs, pesquisadora do Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade de St. Gallen, na Suíça.
Uma pesquisa realizada pela consultoria Accenture estima que a participação da economia digital no PIB do Brasil saltará dos atuais 21,3% para 24,3% em 2020 e valerá US$ 446 bilhões (R$ 1,83 trilhão).
O mesmo estudo aponta que o país precisa manter os níveis atuais de educação e expandir investimentos em novas tecnologias e na geração de uma cultura digital para acelerar ainda mais o progresso. Se o Brasil aplicar recursos ativamente nessas áreas, a consultoria prevê que o segmento econômico poderá movimentar outros US$ 120 bilhões (R$ 494 bilhões) além do previsto.
Neste mês, a presidente Dilma Rousseff sancionou o Marco Legal da Ciência e Tecnologia, novo parâmetro legislativo que promete reduzir a burocracia, facilitando investimentos em pesquisa e ciência nas iniciativas pública e privada. Além disso, o governo anunciou um edital de financiamento de R$ 200 milhões para pesquisa e desenvolvimento.
Ameaças da Quarta Revolução Industrial
Alicia Bárcena, da Cepal, vê três ameaças no horizonte da quarta revolução industrial: o aumento da desigualdade, as mudanças climáticas e a tendência recessiva das economias. Desafios, afirma, que podem ser solucionados com investimento estatal e políticas públicas ativas.
"Políticas fiscais expansionistas podem ajudar a evitar tendências recessivas e recuperar empregos. Acesso universal à educação e saúde encorajam demanda agregada e aumento de produtividade," defende. "Políticas sociais voltadas ao amparo social universal e no combate à desigualdade podem promover um incentivo crucial para a demanda minguante em todos os lugares."
Para a especialista, o investimento público deve ter um "componente ambiental" forte, que mova a economia mundial a um caminho de baixo carbono, ou seja, de baixa emissão de gases de efeito estufa. Essa alternativa, afirma, contribui muito mais para a geração de empregos do que a indústria poluente.
"O desafio é direcionar as novas e antigas tecnologias para a utilização mais eficiente de recursos naturais, energias renováveis e sustentável, cidades inteligentes que possibilitem evitar desperdício de energia e produção," avalia Vanessa Fuchs.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Quarta revolução industrial: A Era das Máquinas Livres

Para Joshua Pearce, o "faça você mesmo científico" está dando início a uma revolução: a era das máquinas livres, com software e hardware abertos. [Imagem: Sarah Bird/Michigan Tech]
"Faça você mesmo científico"
O movimento "Faça Você Mesmo" saltou das tarefas domésticas para os laboratórios de pesquisa.
E o salto foi impulsionado pelos mesmos motivos: economizar dinheiro e obterexatamente o resultado que você deseja.
Para Joshua Pearce, o "faça você mesmo científico" está dando início a uma revolução.
Três forças convergentes, todas de código aberto (open-source), estão por trás dessa revolução, explica o pesquisador em um artigo publicado no número mais recente da revista Science: software, impressoras 3D e microcontroladores.
Com essas ferramentas, pesquisadores de todo o mundo estão reduzindo o custo de fazer ciência, construindo seus equipamentos no próprio laboratório.
Arduíno
Tudo está sendo possível graças ao microcontrolador open-source Arduíno.
"A beleza desta ferramenta é que é muito fácil de usar," disse Pearce, que é professor da Universidade Tecnológica de Michigan. "Ela torna muito simples a tarefa de automatizar processos."
Veja como funciona.
O Arduíno - que é vendido por menos de R$100 no varejo - pode controlar qualquer instrumento científico, seja um contador Geiger, um osciloscópio ou um sequenciador de DNA.
Mas ele realmente brilha quando controla impressoras 3D, tais como a também de hardware aberto RepRap.
Esta engenhoca do tamanho de um forno de micro-ondas pode ser construída por menos de R$1.000, e pode construir suas próprias peças - uma vez que você tenha uma RepRap, você poderá construir tantas quantas queira. O laboratório de Pearce já tem cinco.
Impressoras 3D constroem objetos lançando camadas de plástico com espessura abaixo de um milímetro, umas sobre as outras, seguindo padrões específicos. Isso permite aos usuários construir equipamentos segundo suas próprias especificações, não ficando mais dependentes do que podem comprar no mercado.
O Arduíno controla o processo, dizendo à impressora 3D para fazer qualquer coisa, de um trem de brinquedo a um macaco de laboratório - não o animal, mas aquele equipamento de levantar coisas.
Faça parte da quarta revolução industrial: A Era das Máquinas Livres
A impressora 3D RepRap está sendo usada para construir equipamentos reais para uso nos laboratórios científicos. [Imagem: Pearce/Science]
Universo das Coisas
Macacos de laboratório levantam e abaixam equipamentos ópticos, mas não são radicalmente diferentes do macaco que você usa para trocar o pneu do carro.
O professor Pearce precisou de um em seu laboratório e, ao saber que o equipamento custaria milhares de dólares, resolveu projetar o seu próprio.
Usando uma RepRap, filamentos de plástico barato e algumas porcas e parafusos, Pearce e seus alunos construíram um por uma bagatela.
Então eles postaram o código OpenSCAD, que usaram para fazer seu macaco de laboratório, no Thingiverse, um repositório de projetos de código aberto, onde os membros da "comunidade de fazedores" podem enviar seus projetos para todos os tipos de objetos, e receber feedback.
"Imediatamente, alguém que eu nunca encontrei, disse: 'Isso não vai funcionar muito bem, você precisa fazer isso'," conta Pearce. "Nós fizemos uma mudança simples, e agora temos um macaco de laboratório que é superior ao nosso projeto original."
O Thingiverse - o "Universo das Coisas" (Things + Universe) - é um filho do movimento do software livre e de código aberto. Além de projetos para todos os tipos de objetos, ele pretende juntar milhares de mentes especializadas para resolver problemas. É a última palavra no trabalho em equipe, disse Pearce.
Faça parte da quarta revolução industrial: A Era das Máquinas Livres
O macaco de laboratório foi otimizado com a ajuda da comunidade de hardware aberto. [Imagem: Thingiverse]
Economia da doação
"Os movimentos do software livre e do hardware livre estão criando uma economia das doações. Nós pagamos para a comunidade submetendo nossos projetos, e recebemos pagamentos de volta na forma de um excelente feedback e acesso livre ao trabalho de outras pessoas. Quanto mais você dá, mais você recebe, e todos ganham nesse processo," disse ele.
A comunidade Thingiverse já tem uma linha completa de projetos com código-fonte aberto para mais de 30 mil "coisas".
E é tudo barato, o que traz em si a emergência dessa revolução.
Pearce relata que agora está ajudando seus estudantes a organizarem uma empresa cujos objetivos serão fazer projetos de código e hardware abertos para a indústria e construir instrumentos de laboratório sob medida para professores universitários, fornecendo tudo pronto por uma fração do custo dos equipamentos comerciais.
"Isso dará aos alunos as competências de que necessitam e lhes permitirá beneficiar toda a sua área de pesquisas," disse ele.
Faça parte da quarta revolução industrial: A Era das Máquinas Livres
Este equipamento permite construir trocadores de calor fundindo camadas de sacolas plásticas. [Imagem: Thingiverse]
Revolução da fabricação própria
Se a iniciativa se disseminar, milhares ou milhões de dólares que são gastos pelos laboratórios de pesquisa em todo o mundo para comprar equipamentos, agora poderão ser usados para dar apoio aos alunos.
Mesmo escolas de ensino médio poderão ter recursos para bons laboratórios de ciências. Mais pesquisas poderão ser financiadas com menos recursos, levando a mais descobertas.
"Usando hardware livre economizamos milhares de dólares para o nosso grupo de pesquisa, e estamos apenas esquentando os motores. Isso vai mudar a maneira como as coisas são feitas," disse Pearce. "Não há como parar essa revolução."
O endereço do Universo das Coisas é www.thingiverse.com, e uma boa forma de colaborar com essa nova onda seria que um grupo brasileiro se encarregasse de começar uma versão ".com.br" dessa "revolução das coisas".

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Aplicativo permite acesso de usuários a teses, livros e obras de referência científica

Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) desenvolveu um aplicativo para telefonia móvel, o Periódicos. O objetivo é permitir um acesso mais fácil e rápido a teses, livros e obras de pesquisadores de referência científica das mais de 400 instituições participantes do portal. O programa está disponível para os sistemas operacionais IOS e Android.




FONTE: TV NBR
Via Jornal Agrosoft

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Leia mais (de graça) e “dê ao mundo” o seu livro favorito

unglue-livros
Que tal se juntar a outros fãs de livros para comprar direitos autorais e tornar o acesso a eles grátis? Foi com essa ideia ousada que nasceu o Unglue.it, um serviço de crowdfunding para transformar títulos protegidos em ebooks creative commons.
Lançado em maio do ano passado, o site foi criado para ajudar leitores apaixonados a “descolar” (traduzindo o nome do site) os livros do controle das editoras para ter acesso a obras antigas, esgotadas ou que editoras não se interessem mais em publicar. Mas os autores não saem perdendo com isso! O pagamento aos criadores é feito por meio do financiamento coletivo – e as pessoas que quiserem participar podem doar qualquer quantia.
Se o valor estipulado pelo direito do livro for alcançado, a obra ganhará uma versão em ebook, sob uma licença creative commons. Isso significa que qualquer pessoa pode ler, baixar e compartilhar o ebook livre e legalmente. “Significa dar ao mundo o seu livro favorito”, acreditam os criadores do serviço. Inspirador, não?
O primeiro sucesso da plataforma foi disponibilizar, de graça e com novos recursos, a obra Literatura Oral na África, de Ruth H. Finnegan. Na ocasião, em agosto de 2012, a autora declarou estar maravilhada com a possibilidade de a pesquisa ser lida livremente no continente estudado. Outros livros também foram “descolados” pelo site, como:
O Terceiro Despertar, de Dennis Weiser;
Então Você Quer Ser Bibliotecário, de Lauren Pressley;
Alimentando a Cidade, de Sara Roncaglia, e
Open Access eBooks, de E.S. Hellman.

Entre os livros mais desejados pelos usuários do site estão O Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams, Uma Breve História do Tempo, de Stephen Hawking, e Revolução dos Bichos, de George Orwell. Quais são os seus livros favoritos que você gostaria que fossem “descolados”? Compartilhe com a gente nos comentários!
Leia também:

domingo, 4 de agosto de 2013

Primeiro “PC Open Source” de arquitetura Intel chega às lojas por US$ 200

Placa-mãe é volta a entusiastas e desenvolvedores de soluções embarcadas. Esquemáticos e design estão disponíveis sob uma licença Creative Commons.
O primeiro “PC Open Source” baseado na arquitetura Intel já está disponível a desenvolvedores interessados em novas aplicações para a arquitetura x86 ou entusiastas interessados em montar seus próprios sistemas.
Batizado de “MinnowBoard”, o PC é na verdade uma placa-mãe desenvolvida em parceria pela Intel e CircuitCo Electronics, uma empresa especializada em placas-mãe Open Source, e começou a chegar às revendas nos EUA neste mês com preço sugerido de US$ 200.
Os esquemáticos e arquivos de design da placa estão disponíveis sob uma licença Creative Commons e podem ser duplicados. A Intel já havia anteriormente compartilhado designs para servidores através do projeto Open Compute do Facebook, mas estes eram voltados principalmente a grandes empresas que projetam e constroem seus próprios servidores. A MinnowBoard, que mede pouco mais de 10 x 10 cm, é o primeiro hardware Open Source baseado na arquitetura Intel projetado para entusiastas e desenvolvedores.
minnowboard-500px.jpg
MinnowBoard: processador Atom de 32 Bits e 1 GB de RAM
Ficha técnica
A MinnowBoard é baseada em um processador Intel Atom E640, um chip de 32 Bits que foi originalmente lançado em 2010, acompanhado por 1 GB de RAM DDR2, uma porta HDMI para conexão a monitores e TVs de alta-definição, uma interface de rede Gigabit Ethernet, portas USB e um slot para cartões microSD para armazenamento removível. Também há oito pinos de GPIO (General Purpose I/O) para comunicação com dispositivos externos.
O firmware da máquina, baseado na especificação UEFI, também é Open Source, possibilitando o desenvolvimento de ambientes personalizados de boot seguro. Entre os possíveis usos da MinnowBoard estão o desenvolvimento e testes de aplicações em sistemas embarcados.
A Minnowboard está disponível em revendas online incluindo a Digi-Key, Farnell, Mouser Electronics e Newark. A Intel e a CircuitCo também estabeleceram um site para uma comunidade online em minnowboard.org, com especificações técnicas e mais informações sobre a placa.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Unicamp lança portal com conteúdo utilizado em aulas


Página já possui mais de 1.300 itens de diversas áreas do conhecimento

Portal e-Unicamp, desenvolvido pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), oferece conteúdo das aulas e ferramenta de acompanhamento online das disciplinas
Portal e-Unicamp oferece conteúdo das aulas e ferramenta de acompanhamento online das disciplinas (Reprodução)
A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) lançou, nesta segunda-feira, o portal e-Unicamp, que reúne cerca de 300 animações, 1.000 imagens e 50 vídeos desenvolvidos a pedido de professores para utilização em sala de aula. O conteúdo, disponível gratuitamente na página virtual www.ggte.unicamp.br/e-unicamp/public/, está agrupado em quatro grandes áreas: exatas, tecnológicas e da terra; ciências humanas; artes; biológicas e profissões da saúde. 
Leia também:

De acordo com a gerente do projeto, Maria Larissa Sanchez, a ideia é compartilhar, por meio desses objetos, o conhecimento gerado na Unicamp. "Queremos também fomentar a página regularmente com novos materiais conforme eles forem aproveitados pelos professores", diz Sanchez. "Já temos cerca de 300 novos conteúdos para serem postados em breve, com a autorização dos professores."

Além disso, o portal e-Unicamp também dá acesso à ferramenta ToolDo - espécie de gerenciador de arquivos educacional utilizado por docentes para montar aulas online e disponibilizar apostilas interativas aos alunos.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Pesquisadores compartilham estudos em defesa da 'ciência aberta'


Jean-Claude Bradley

http://noticias.terra.com.br

Aplicativos online e games são usados por cientistas para compartilhar suas descobertas e acabar com o ambiente fechado dos laboratórios


Enquanto você acessa esta reportagem, pode abrir uma outra aba no seu navegador e acompanhar os estudos antimalária do pesquisador americano Jean-Claude Bradley e seus alunos. Eles compartilham informações sobre tudo o que produzem no programa da Drexel University, na Filadélfia, que tem como objetivo desenvolver compostos orgânicos úteis para a prevenção ou para a cura dessa doença que mata mais de 1 milhão de pessoas por ano no mundo. Além de acessar as pesquisas, você também pode contribuir com mais dados, desde que se inscreva no ambiente on-line.
O pesquisador químico Bradley usa o modelo "wikis" para publicação e compartilhamento. Ele é um dos defensores e praticantes da ciência aberta, que prega a disponibilização das informações em uma rede. É o modelo oposto à pesquisa fechada em laboratórios e mais uma prática que ganha força com a cultura digital.
Uma das instituições que nasceram na esteira dessa cultura, o CreativeCommons – fundado em 2001 nos Estados Unidos com a missão de ampliar o compartilhamento e uso do conhecimento através de licenças que se opõem ao copyright (todos os direitos reservados) tem uma área exclusiva para discutir ciência. Sob a bandeira do Creative Commons Science estão as publicações da Public Library of Science (Biblioteca Pública de Ciências) e das editoras BioMed Central e Hindawi, que são oferecidas gratuitamente aos usuários. Na Public, todos os artigos publicados trazem sinopse escrita para o público não especializado. Um esforço para tornar mais acessíveis aqueles conteúdos.
A atenção do pesquisador Bradley ou dos gestores do Creative Commons, em São Francisco, ao modelo de ciência aberta não é somente uma questão ideológica. O jogo on-line Fold It, desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Washinghton, está aí para mostrar que a abertura e a colaboração em rede podem acelerar a pesquisa e o desenvolvimento. Em 2011 o game foi notícia em todo o mundo quando os jogadores voluntários decifraram a estrutura de uma proteína retroviral que está diretamente relacionada ao vírus HIV. Até então os cientistas não sabiam como era tal estrutura, e isso impedia a projeção de outras moléculas que pudessem bloqueá-la. Foi o primeiro caso documentado de problema científico solucionado em parceria com jogadores, e publicado em periódicos como a Nature Structural & Molecular Biology.
Para criar desafios com tal potencial de colaboração com a ciência, uma equipe multidisciplinar, que envolve cientistas da computação, engenheiros e bioquímicos e soma nove pessoas trabalha incansavelmente sobre um jogo de quebra-cabeça. O pesquisador de pós-doutorado do Departamento de Bioquímica da Universidade de Washington Firas Khatib é uma delas e conta que mesmo depois de quatro anos de Fold It ainda surgem dilemas sobre até onde ir com a dinâmica de jogo. "Às vezes queremos adicionar algumas restrições, para manter as soluções do jogador o mais próximo da realidade, mas vemos que aquele caminho pode tornar o game menos divertido ou mais lento", diz ele, enfatizando que abrir a ciência para quem está fora dos laboratórios requer constantemente o exercício de ponderar sobre quais experiências serão oferecidas.
Quando a experiência "vale a pena", o público não vai embora, e segue colaborando, até que, num formato de comunidade, atingem resultados relevantes, como aconteceu com o Fold It, onde a proposta é montar e organizar estruturas de proteínas. "Sabíamos, em 2008, que não estávamos criando ali uma versão final do Fold It, que havia muito para ser aperfeiçoado, mas o que nos surpreende é ver que uma grande quantidade de jogadores que estava lá, em 2008, se mantém presente, e isso é excelente em todos os aspectos", comenta Khatib.
A cocriação por meio de ferramentas on-line é uma das formas de engajamento na ciência, mas não a única para o público não especializado. Além de fazer as vezes de cientista, pode-se também ser patrocinador de pesquisas. Plataformas de crowdfunding já apresentam projetos científicos, e de olho nesse nicho surgiu a Dodo, a primeira no mundo voltada exclusivamente para projetos genéticos e criada por brasileiros.
A iniciativa acabou de chegar à web, liderada pela Beagle Informatics, startup fundada pelo paraibano Vinicius Maracaja, PhD em bioinformática pela USP. Ele não pretende ser apenas um facilitador da ciência, mas também fomentar as práticas colaborativas para o estudo mesmo, por isso explica que outra plataforma, a NimbusGene está a caminho, e por lá todas as projetos bem-sucedidos na arrecadação coletiva do Dodo terão um espaço gratuito para armazenamento de dados e estudo colaborativo.

terça-feira, 19 de março de 2013

Economistas defendem abolição do sistema de patentes



Carlos Orsi
Verdade patente
O sistema de patentes deveria ser abolido, porque sufoca a inovação, e a vantagem de chegar primeiro ao mercado com uma nova tecnologia já é suficiente para garantir ao inventor o retorno de seu investimento.
A afirmação está no artigo de autoria de dois economistas do FED, o banco central dos Estados Unidos, publicado na edição de inverno de 2013 do periódico Journal of Economic Perspectives.
De acordo com Michele Boldrin e David Levine, que também são autores do livro Against Intellectual Monopoly(Contra o Monopólio Intelectual), publicado em 2008 e que põe em questão o valor social não só das patentes, mas também dos direitos de propriedade intelectual como o copyright de músicas e filmes, "não existe evidência empírica de que as patentes sirvam para aumentar a inovação ou a produtividade, a menos que se identifique produtividade com o número de patentes concedidas".
Eles afirmam que não há correlação entre o número de patentes e a produtividade real da economia.
Outro artigo publicado na mesma edição do periódico, de autoria de Petra Moser, da Universidade Stanford, faz uma análise da história da relação entre inovação e leis de patentes e chega a uma conclusão parecida: "No geral, o peso da evidência histórica (...) indica que políticas de patente, que garantem fortes direitos de propriedade intelectual às primeiras gerações de inventores, podem desencorajar a inovação".
Abolição das patentes
"A solução que propomos é abolir as patentes por completo, e identificar outros instrumentos legislativos menos abertos ao lobby e ao rentismo, para estimular a inovação onde houver clara evidência de que a plena liberdade de mercado não a fornece em escala suficiente", escrevem Boldrin e Levine em seu artigo.
O diretor da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) da Unicamp, Sérgio Salles-Filho, que também é professor do Departamento de Política Científica e Tecnológica do Instituto de Geociências da universidade, embora concorde com a ideia de que as patentes precisam de uma melhor regulação e de que o sistema atual caminha para se tornar um "anacronismo", não acredita que os autores tenham comprovado a tese de que as patentes atrapalham a inovação.
"Existe uma diferença imensa entre dizer que a inovação não acompanha o ritmo dos patenteamentos e provar que as patentes atrapalham a inovação", criticou.
Para dar suporte a seu argumento, os dois autores citam o que chamam de "enigma das patentes": "a despeito do imenso aumento no número de patentes e na força da proteção legal, a economia dos EUA não assistiu nem a uma aceleração dramática da taxa de progresso tecnológico, nem a um aumento significativo dos níveis de investimento em pesquisa e desenvolvimento".
Eles afirmam que o "enigma" é consistente com a ideia de que o poder de monopólio concedido por uma patente é um incentivo menor do que o oferecido pela competição, ou pela vantagem de ser o primeiro a desbravar uma tecnologia.
Os dois autores oferecem alguns dados em apoio à tese, afirmando que, no período de 1983 a 2010, o volume de patentes concedidas nos Estados Unidos dobrou duas vezes, indo de 59 mil para 244 mil, enquanto os gastos com pesquisa e inovação, e os ganhos de produtividade do trabalho, nem de longe acompanharam esse ritmo.
Sufocando a inovação
"A recente explosão de patentes (...) não trouxe nenhuma explosão adicional de inovações úteis ou produtividade", denunciam. "Em indústrias como biotecnologia e software - onde a tecnologia já estava prosperando sem elas - as patentes foram introduzidas sem nenhum impacto positivo na inovação".
A evidência histórica, afirmam, sugere que "um sistema fraco de patentes pode estimular um pouco a inovação, com poucos efeitos colaterais" mas que um sistema forte de defesa da propriedade intelectual "retarda a inovação, com muitos efeitos negativos".
Para Boldrin e Levine, embora um sistema de patentes ofereça, num primeiro momento, o incentivo para inovar, no longo prazo esse mesmo sistema tende a sufocar a inovação: "a existência de um grande número de monopólios criados por patentes concedidas no passado reduz os incentivos para a inovação no presente, já que os inovadores atuais estão sujeitos à constante ação legal e às exigências de licenciamento dos detentores de patentes".
Patentes como armas
Um caso citado no artigo é o da compra da Motorola pelo Google, "primariamente por seu portfólio de patentes, não pelas ideias e inovações contidas nesse portfólio".
"Poucos, se algum, aperfeiçoamentos ou mudanças no sistema operacional Android do Google resultarão da compra ou do estudo dessas patentes", preveem os autores. "O objetivo do Google em obtê-las é meramente defensivo: podem ser usadas contra a Apple e a Microsoft, tirando força de seu ataque legal ao Google".
Eles concluem que "essa análise de aplica a um amplo espectro de patentes: não representam inovação útil, são apenas armas numa corrida armamentista".
Segundo a análise de Boldrin e Levine, o sistema de patentes representa um problema grave para os inventores do futuro. Com tantas licenças a adquirir e a incerteza quanto ao sucesso da nova criação no mercado, cada detentor de patente busca subir o preço de seu componente, o que eleva os custos para os demais detentores de patentes, tornando todo o sistema de licenciamento ineficiente, do ponto de vista econômico.
Como exemplo de que as vantagens de ser o primeiro a oferecer uma nova tecnologia ao mercado superam as de ter uma patente, os autores citam o caso do iPhone. "A Apple obteve lucros enormes nesse mercado antes de enfrentar qualquer competição substantiva", lembram. "O primeiro iPhone foi lançado em junho de 2007. O primeiro concorrente sério, o HTC Dram, com Android, saiu em outubro de 2008. Nesse intervalo, mais de 5 milhões de iPhones já tinham sido vendidos (...) No mercado de tablets, o iPad não tinha concorrente sério até o fim de 2012, a despeito de ter sido lançado em abril de 2010".
Indústria farmacêutica
Boldrin e Levine reconhecem o que chamam de "argumento padrão" da indústria farmacêutica: "sem patentes, sem drogas". No ano passado, publicações como a revista Nature e o jornal Financial Times chegaram a produzir reportagens sobre o "abismo de patentes" que estaria ameaçando a indústria farmacêutica, com o vencimento do monopólio sobre diversas drogas altamente rentáveis, abrindo caminho para a concorrência dos genéricos.
O "argumento padrão" tem como base o alto custo de pesquisa e desenvolvimento de uma nova droga, incluindo, principalmente, a fase de testes em seres humanos. Os autores do artigo citam dados de que o preço total de pôr um novo medicamento no mercado "aproxima-se rapidamente da marca de US$ 1 bilhão".
Boldrin e Levine sugerem que o monopólio garantido pela patente seja substituído por um outro tipo de incentivo, seja o financiamento público dos testes de Fase 3, realizados para demonstrar a eficácia de uma nova droga, ou pela autorização da venda de medicamentos, a preço de custo, depois de eles terem sido provados seguros, mas antes de serem provados eficazes.
"As empresas farmacêuticas poderiam vender novas drogas a 'preço econômico' até que a eficácia fosse comprovada, e poderiam passar a cobrar preços de mercado depois disso", explicam.
Também argumentam que o temor de que os genéricos sufocariam de imediato a lucratividade de novas drogas, caso as patentes sejam abolidas, pode ser infundado, já que as versões genéricas chegam ao mercado imediatamente após o fim da proteção patentária.
"Isso ignora o fato de que [no sistema atual] os fabricantes de genéricos têm mais de uma década para fazer a engenharia reversa do produto, estudar o mercado e montar linhas de produção", dizem os autores, citando um estudo que sugere que pelo menos quatro anos são necessários para que uma cópia de um medicamento chegue ao mercado, após a introdução do original.
"A vantagem do pioneirismo no mercado farmacêutico é maior do que se imagina", concluem.
Pressão política
Pressão política é um dos fatores que fazem com que sistemas de patentes tornem-se contraproducentes ao longo do tempo, diz o artigo. "As pressões político-econômicas tendem a beneficiar os detentores de patentes que estão em boa posição para fazer lobby (...) Isso explica por que a exigência política por proteção mais forte às patentes vem de indústrias e empresas velhas e estagnadas, não de novas e inovadoras".
Entre as sugestões apresentadas no final do artigo, está a de reduzir o tempo de validade das patentes paulatinamente; caso a redução prejudique a inovação, o processo pode ser revertido. Também se propõe que "pare a maré crescente" de itens considerados patenteáveis, e que a legislação antitruste passe a limitar as patentes de setores onde elas estejam atrapalhando a inovação.