domingo, 28 de março de 2010

Minha experiência com os ereaders ou dispositivos de leitura

Já pensou o que aconteceria caso você resolvesse imprimir todos os textos importantes que encontra na internet? Já imaginou a quantidade de papel e de tinta que gastariamos para imprimir tudo o que encontramos de interessante e que temos vontade de ler depois ou de guardar?

É claro que é possível colecionar o que encontramos no próprio computador, sem ter que imprimir nada. Colocamos o que está disponível online nos nossos favoritos, baixamos o que pode ser baixado e guardamos em pastas bem identificadas e assim por diante. Quando quisermos ler, basta ir para o computador, encontrar o material desejado e começar a leitura.

Acontece que nem sempre estamos perto do computador quando precisamos ou queremos ler o material coletado. Às vezes até estamos próximos ao computador, mas podemos estar em um momento de relax quando achamos prefeririamos ler deitados ao invés de sentados na frente do computador. É lógico que podemos ler em um notebook, no colo, recostados na cama, mas nem todos tem um notebook. Para mim, que tenho, não acho tão confortável assim ficar com um notebook no colo o tempo todo, e isso sem contar que às vezes o que queremos ler é um ebook com centenas de páginas, e aí surge o problema do desconforto causado à visão pelo monitor do computador e sua luz de fundo (backlight). O pior é quando resolvemos usar o computador no escuro, quando o backlight do computador prejudica mais ainda nossa visão.

Uma maneira que encontrei para levar comigo algo para ler quando estou longe de um computador, seja no ônibus, na fila do banco ou na recepção de uma clínica enquanto espero ser atendido, foi colar o texto desejado em um editor de texto puro como o bloco de notas, o Notepad++ ou o NoteTab e em seguida imprimi-lo com a ajuda de um programa como o fineprint, que permite colocar o máximo de conteúdo em uma folha de papel. Isso é ótimo para leituras que você vai descartar depois, pois de tanto manipular o papel ele vai ficar amassado e sujo.

Há algumas semanas, após muita leitura na internet sobre dispositivos de leitura, ou ereaders, resolvi comprar um jetBook, dispositivo de leitura comercializado pela ECTACO. Ele não está disponível para venda diretamente do Brasil, mas quem quiser adquiri-lo pode fazê-lo via internet. Saiba mais sobre esse dispositivo e veja como adquiri-lo lendo esse post no meu blog onde eu faço um tipo de análise sobre o dispositivo.

O jetBook é apenas um dos muitos dispositivos de leitura existentes hoje. Esse artigo no site da Editora plus dá dicas valiosas que podem ser usadas na hora de escolher um ebook reader.

Após adquirir o jetBook, que foi meu primeiro ereader (sim, acabei de comprar um Kindle 2, mas isso é assunto para um futuro post), começei a usar o software Calibre, sobre o qual esse blog tem um post e que é um excelente gerenciador de ebooks gratuito, para converter ebooks em PDF e outros formatos para um dos formatos aceitos pelo jetBook (TXT, ePub, Mobi/prc, RTF etc) de forma que pudesse passar tudo isso para ele e levar comigo para onde quisesse.

O jetBook é um dos dispositivos de leitura mais baratos que existem e não tem os recursos de um Kindle da vida como links clicaveis ou tabela de conteúdo. Ele também tem alguns problemas com arquivos muito grandes, mas é um excelente dispositivo de leitura, pequeno a ponto de caber no bolso da frente de uma calça jeans de um adulto que não seja magrelo e com uma tela que, apesar de não ser e-ink, é maravilhosamente legível, e isso sem falar que o monitor LCD sem backlight do jetBook não demora para trocar de página como um dispositivo e-ink e nao possui aquele efeito de piscar na mudança de página, próprio dos dispositivos e-ink.

O jetBook tem uma vantagem que o meu Kindle 2 não tem: Ele tem um slot de cartão de memória SD que eu posso usar para expandir sua memória pequenininha (pouco mais de 100 Mb). O Kindle não tem slot de cartão. Isso não significa que você só pode colocar livros nele se comprá-los do site da Amazon. Você pode colocar arquivos nele via USB. Ele aceita os formatos TXT e PDF além do formatos padrão que são o AZW e o MOBI. O formato AZW, padrão do Kindle, é na verdade o formato MOBI, criado pela Mobipocket que foi comprada pela Amazon em 2005. Dois anos depois dessa compra foi lançado o Kindle e, segundo eu soube, O acervo da Mobipocket foi usado para iniciar o acervo da Kindle store.

Na Amazon você encontra livros protegidos com DRM e livros sem proteção. Os livros sem proteção DRM são, na verdade, livros em formato MOBI. Esses pode ser copiados para o jetBook mas a apresentação do formato MOBI no jetBook não é das melhores. É básica. Não há tamanhos diferentes de fonte, links clicaveis, tabela de conteúdo essas coisas.

Meu Kindle 2 possui algo que meu jetBook não possui e que eu acho o máximo: Posso ligar meu Kindle e acessar o site da Amazon, através da conexão 3G que o dispositivo possui e pela qual eu não pago nada. Quero dizer, quase nada, já que para contas de brasileiros, os livros custam dois dólares a mais. É a maneira que eles acharam de você pagar pela conexão 3G. Com essa conexão 3G posso acessar, além da loja da Amazon, a famosa enciclopédia online Wikipedia.

O kindle é um perigo para pessoas que comprar por impulso. Outro dia estava no quarto, deitado na cama com meu kindle e começei a passear pela Kindle Store procurando algo para ler. Vi um livro sobre um assunto que me interessava e baixei, pelo próprio kindle, um sample do livro. Li todo o sample (normalmente o primeiro capítulo do livro) e queria ler o resto. Clique no link do final do sample que diz "Gostou? Clique aqui para comprar a versão completa" e em menos de um minuto estava lendo o restante do livro.

Você pode até dizer que vai passar horas e horas lendo só os sample de livros que você gostar e não vai comprar nada, ou que vai sempre colocar coisas via USB sem gastar dinheiro, baixadas de sites como o feedbooks.com ou manybooks.net, que suportam o formato do kindle, mas eu te digo que, se você lê inglês, vai se sentir tentado a comprar livros na Kindle Store. Daqui há alguns meses, quando a quantidade de títulos em português for aumentando, o impulso de comprar vai aumentar também.

Agora, me diga, isso é tão ruim assim? No final do ano passado eu comprei um comentário bíblico no novo testamento que me custou quase cem reais e que pesa bastante! É um livro grossão e difícil de manipular. Muito bom! Eu recomendo! Resolvi acessa a Kindle Store a partir do Kindle e digitar o nome do autor e achei a versão em inglês e com ambos antigo e novo testamento por apenas treze dólares! Que tal?

Na Kindle Store encontrei o primeiro livro da série "Deixados Para Trás" por doze dólares. Fui numa loja essa semana e eles não tinham o primeiro livro da série, mas a moça me disse, se bem me lembro, que o preço é cerca de quarenta reais!

O Kindle é melhor que o jetBook? Depende! Ontem eu estava sentado aqui no sofá de onde agora digito esse post e notei que ele estava pesando um pouco. Apesar de ser bem leve, como eu estava cansado, senti o peso. Peguei meu jetBook, no qual já havia colocado o mesmo livro que estava lendo no Kindle, e pude apreciar o peso menor do jetBook e a mudança de páginas mais rápida que no kindle (diferença que nem é tão grande assim, mas dá pra notar).

Por enquanto estou feliz com meus dois ereaders, e não pretendo me desfazer de nenhum dos dois. Depois conto mais.

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Celson Aquino é analista de sistemas e mantém o blog http://anybit.net

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