terça-feira, 26 de abril de 2011

Uma revolução silenciosa chega com as plataformas abertas de hardware

As transições tecnológicas marcam épocas e modificam de forma definitiva nossa sociedade. No passado eram bem mais perceptíveis: a robotização da linha de montagem industrial, a substituição das mídias magnéticas pelas mídias e suportes digitais.
Hoje entretanto, vivemos um estágio de evolução contínua, onde cada nova tecnologia é um aperfeiçoamento de algo já existente, transformações mais sutis, quase invisíveis.
Ocorrem na transmissão de dados à velocidade da luz, dentro de nanobots, na miniaturização dos microprocessadores e na crescente conectividade das redes em escala planetária, o que certamente nos levará ao nirvana comunicacional. Mas para que ocorra a plena realização da tecnoutopia digital é preciso conquistar mais dois territórios: o software e o hardware.
A boa notícia é que esta viagem já começou. De um lado temos as comunidades de software livre, as quais apóiam-se na colaboração, distribuição irrestrita de conhecimento e mantêm-se ativas graças à inteligência coletiva.
O movimento do software livre nos deu o Linux, o Mozilla Foundation, a Wikipedia e o Openframeworks, entre tantos outros produtos abertos, livres e emancipatórios. Seus conceitos e práticas contaminaram outras áreas e temos hoje de carros a livros sendo concebidos e consumidos de forma gratuita e comunitária.
Do outro lado, uma revolução silenciosa tem tomado o tempo e as mentes de milhares de jovens ao redor do planeta: as plataformas abertas de hardware (open hardware platforms), sendo a mais conhecida o Arduino.
arduino_uno_test
O Arduino está para a tecnologia computacional assim como o motor de combustão para indústria automobilística, com a diferença de que o Arduino é de extremo baixo custo (uma placa Arduino custa hoje por volta de 25 dólares!).

As possibilidades criativas desta placa de circuito impresso, que cabe na palma da mão, são ilimitadas. Sensores e atuadores podem ser facilmente acoplados ao Arduino para sentir o ambiente, se comunicar ou promover algum tipo de ação sobre outros objetos microprocessados.
Não por acaso, o Arduino é uma das plataformas prediletas dos jovens pesquisadores da área de “Internet das Coisas”. A linguagem de programação é simples e estruturada, com incontáveis fóruns e bibliotecas abertas na rede. Basta uma breve busca dentro do Youtube com a palavra chave “Arduino” e você irá encontrar as mais diferentes engenhocas e cibertecnologias em ação.
Assim como o software livre quebrou paradigmas da indústria de software, as plataformas abertas de hardware representam as bases para próxima revolução tecnológica. A Fantástica Fábrica de Chocolates Eletrônicos abriu suas portas para comunidade hiper-conectada e seu estoque de cacau é infinito.
Este artigo é uma homenagem a Raphael Vasconcellos. Uma mente open source por natureza. [Webinsider] - http://webinsider.uol.com.br

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Curso a distância "Controle Social e Cidadania", promovido pela CGU

Curso a distância "Controle Social e Cidadania", promovido pela CGU


A Controladoria-Geral da União (CGU) abriu inscrições para 1.000 vagas no curso a distância "Controle Social e Cidadania". O curso será gratuito e realizado totalmente pela Internet, entre 3 e 30 de maio. Ele é voltado para todo cidadão interessado em saber mais sobre como acompanhar a gestão pública, especialmente as lideranças locais, conselheiros, e representantes sociais.

Para participar, basta ter acesso à internet, um endereço de e-mail e conhecimentos básicos navegação. Os participantes que obtiverem aproveitamento mínimo de 70% receberão certificado. As inscrições poderão ser feitas no endereço www.escolavirtual.cgu.gov.br de 8 a 15 de abril, ou enquanto houver vagas.


segunda-feira, 18 de abril de 2011

Rede Social De Músicas "Creative Commons" Está Recebendo Material



A Livre.fm é uma rede social para descoberta e compartilhamento de músicas licenciadas em Creative Commons.

O site está recebendo material de artistas/bandas. Saiba como enviar seu material enviando um e-mail para:

Você não é artista/banda e quer se cadastrar no site pra ouvir/descobrir novos sons? 

Basta acessar Livre.fm

POEMA DE OUTUBRO de DYLAN THOMAS


Dylan Thomas

Era o meu trigésimo ano rumo ao céu
Quando chegou aos meus ouvidos, vindo do porto
e do bosque ao lado,
E da praia empoçada de mexilhões
E sacralizada pelas garças
O aceno da manhã
Com as preces da água e o grito das gralhas e gaivotas
E o chocar-se dos barcos contra o muro emaranhado de redes
Para que de súbito
Me pusesse de pé
E descortinasse a imóvel cidade adormecida.
Meu aniversário começou com as aves marinhas
E os pássaros das árvores aladas esvoaçavam o meu nome
Sobre as granjas e os cavalos brancos
E levantei-me
No chuvoso outono
E perambulei sem rumo sob o aguaceiro de todos os meus dias.
A garça e a maré alta mergulhavam quando tomei a estrada
Acima da divisa
E as portas da cidade
Ainda estavam fechadas enquanto o povo despertava.
Toda uma primavera de cotovias numa nuvem rodopiante
E os arbustos à beira da estrada transbordante de gorjeios
De melros e o sol de outubro
Estival
Sobre os ombros da colina,
Eram climas amorosos e houve doces cantores
Que chegaram de repente na manhã pela qual eu vagava e ouvia
Como se retorcia a chuva
O vento soprava frio No bosque ao longe que jazia a meus pés.

Pálida chuva sobre o porto que encolhia
E sobre o mar que umedecia a igreja do tamanho de um caracol
Com seus cornos através da névoa e do castelo
Encardido como as corujas Mas todos os jardins
Da primavera e do verão floresciam nos contos fantásticos
Para além da divisa e sob a nuvem apinhada de cotovias.
Ali podia eu maravilhar-me
Meu aniversário Ia adiante mas o tempo girava em derredor.
Ao girar me afastava do país em júbilo
E através do ar transfigurado e do céu cujo azul se matizava
Fluía novamente um prodígio do verão
Com maçãs
Pêras e groselhas encarnadas
E no girar do tempo vi tão claro quanto uma criança
Aquelas esquecidas manhãs em que o menino passeava com sua mãe Em meio às parábolas
Da luz solar
E às lendas da verde capela
E pêlos campos da infância duas vezes descritos
Pois suas lágrimas me queimavam as faces e seu coração
se enternecia em mim.
Esses eram os bosques e o rio e o mar
Ali onde um menino
À escuta
Do verão dos mortos sussurrava a verdade de seu êxtase
Às árvores e às pedras e ao peixe na maré.
E todavia o mistério
Pulsava vivo Na água e nos pássaros canoros.
E ali podia eu maravilhar-me com meu aniversário
Que fugia, enquanto o tempo girava em derredor. Mas a verdadeira
Alegria da criança há tanto tempo morta cantava
Ardendo ao sol.
Era o meu trigésimo ano
Rumo ao céu que então se imobilizara no meio-dia do verão
Embora a cidade repousasse lá embaixo coberta de folhas no sangue de outubro.
Oh, pudesse a verdade de meu coração
Ser ainda cantada
Nessa alta colina um ano depois.

(tradução: Ivan Junqueira)


via http://eliotkalamos.blogspot.com/

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O livro de papel já morreu?

Com a proliferação dos e-books, surgiu um mercado paralelo legal e clandestino de distribuição de arquivos 

por Gilberto Dimenstein

USANDO AS NOVAS ferramentas de comunicação, um grupo de professores da África do Sul está inovando o jeito como se produzem livros didáticos e acabaram se transformando numa experiência acompanhada por diversos centros de tecnologia do mundo.

Espalhados em diversas partes do país, eles escrevem coletivamente, numa página da internet, livros sobre todas as matérias ensinadas nas escolas. Mas cada professor adapta o conteúdo para sua realidade local, a começar do seu bairro. Um mesmo livro, portanto, pode ter centenas de diferentes versões.

Como nem todas as escolas têm acesso à internet (onde os conteúdos estão disponíveis gratuitamente), encontraram uma saída.

Sem cobrar direitos autorais, eles organizam o material e entregam textos para editoras tradicionais. O livro chega às escolas com um preço mais barato. "Em pouco tempo, o papel será dispensável", disse o físico Mark Horner, um dos coordenadores do projeto batizado de Siyavula.

Essa foi uma das experiências que chamaram a atenção num encontro na semana passada que reuniu, nos EUA, alguns especialistas em inovações tecnológicas e educação. Serve como mais uma provocação sobre o futuro da produção e distribuição do conhecimento no geral e dos livros e dos escritores em particular.

O fim do livro de papel é tido como uma questão de tempo. Isso significa que as livrarias vão desaparecer? Para quem, como eu, tem prazer de andar por livrarias e sentir o papel, essa é uma pergunta incômoda.
Andando aqui no metrô, vemos quanta gente aderiu ao livro eletrônico. Algumas escolas resolveram aposentar os livros didáticos de papel, usando até o argumento de que, assim, deixam as mochilas mais leves e preservam a saúde dos estudantes. Comemora-se até o fato de que, com os novos aparelhos, cresce a venda entre os mais jovens.

Com o aumento do consumo dos e-books, surgiu um mercado paralelo legal e clandestino de distribuição de arquivos.

Está acontecendo com os escritores o que, no passado, ocorreu com os músicos, quando surgiu o Napster. Depois de muita briga por causa da troca clandestina de arquivos, começaram a reinventar um novo modelo de negócios. Mas cada vez se ganha menos dinheiro vendendo CDs aliás, quase ninguém mais vende CDs. Assim como os mais jovens já não usam mais relógios de pulso. Nem e-mail. A onda de aplicativos está tornando até obsoleta a internet do www.

Os músicos podem compensar a queda da renda fazendo shows. O que os escritores deveriam fazer? Palestras remuneradas?

Podemos não gostar quando uma mudança tecnológica nos afeta, mas adoramos poder falar pelo Skype sem pagar a ligação telefônica.

Não é tão diferente assim dos desafios do jornal que se estruturam para cobrar os conteúdos digitais.
É um desafio que atinge as escolas. Os conteúdos das matérias já podem ser encontrados na internet, algumas vezes com recursos mais interessantes e provocativos do que os dados em sala de aula. O Media Lab, do MIT, desenvolveu uma plataforma (Scratch) em que as próprias crianças fazem seus jogos e trocam suas criações pelo mundo aliás, o MIT desenvolveu conteúdos gratuitos só para o ensino médio.

Como a transmissão do conhecimento não para de crescer, os modelos de negócio, depois do baque, vão se reinventando, gerando perdedores e ganhadores. Alguém poderia imaginar que jornais pagariam parte dos salários dos jornalistas com base no número de clicks em suas páginas ou matérias na internet?

Estudos têm mostrado que, depois da onda provocada pelo Napster, não diminuiu a produção musical pelo mundo e a produção de aplicativos foi estimulada.

Os desafios da sustentabilidade são enormes, mas as oportunidades são maiores ainda.

Um caso está correndo aqui em Harvard, onde ganha força um ambicioso projeto para criar a maior biblioteca digital do mundo, que é acessível a todos. A pretensão é nada menos do que selecionar todo o conhecimento já produzido pela humanidade. Uma das inspirações é a Europeana, na qual se encontra 15 milhões de versões digitais de livros e obras de arte.

Além de Harvard, estão aderindo ao projeto as maiores universidades americanas com seus monumentais acervos de livros, além da biblioteca do Congresso americano. Representantes da Apple, Microsoft e Google estão participando dos encontros.

Os livros de papel, os CDs e até as escolas tradicionais podem morrer. Mas o conhecimento está cada vez acessível.

PS- Coloquei na internet ( http://www.catracalivre.com.br/ ) mais detalhes dos projetos citados nesta coluna.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

A Criança e a Diabetes: Aprenda o que ela deve comer (Ebook grátis)


Associação Portuguesa de Nutricionistas (APN) lançou o eBook “A Criança e a Diabetes: Aqui aprendes a comer!”. Este livro em formato PDF contém 35 páginas de informação para os mais pequenos.


Para descarregar, clique aqui.

terça-feira, 29 de março de 2011

Secretário americano e ministra da Cultura discutem direitos autorais


Agência Estado – 
qua, 23 de mar de 2011

Secretário americano e ministra da Cultura discutem direitos autorais
Por Tatiana de Mello Dias e Rafael Cabral

São Paulo, 23 (AE) - Entre discursos, reuniões bilaterais e possíveis acordos comerciais, um ponto da agenda da comitiva americana que acompanhou Barack Obama em sua visita ao País chamou atenção. O Secretário de Comércio dos EUA, Gary Locke, se reuniu na sexta-feira passada, 18, com a ministra da Cultura, Ana de Hollanda. O pedido, em forma de "visita de cortesia", partiu do governo americano e tinha como pauta um tema quente para o Ministério no começo de 2011: propriedade intelectual.
A pauta oficial falava em Ano Interamericano da Cultura e a Convenção da Unesco para a Diversidade. Mas, no pedido da embaixada norte-americana (ao qual a reportagem teve acesso), fica claro: o secretário de Comércio dos EUA queria falar sobre direitos autorais. E é difícil discutir isso com Ana de Hollanda sem passar pela Reforma da Lei de Direitos Autorais. Marcia Regina Barbosa, a nova responsável pela área no Ministério, participou do encontro e confirmou o tema: "Ele sabe que estamos passando por um processo de reformulação do projeto de lei e mencionou que se coloca à disposição para ajudar".
Quando Gilberto Gil assumiu como ministro, em 2003, o Ministério da Cultura (MinC) começou a estreitar relações com o Creative Commons e aderiu não só à licença, usada a partir dali nos seus projetos, mas também a uma visão mais flexível sobre o copyright. A partir de 2007, quando o cargo passou para o ex-secretário-executivo Juca Ferreira, o MinC decidiu mexer no vespeiro e propôs a discussão sobre uma revisão na lei brasileira de direitos autorais que, se aprovada, criaria exceções para o uso educacional e legalizaria o remix e cópias privadas e não-comerciais de obras protegidas.
O criador do Creative Commons, Lawrence Lessig, chegou a dizer que, se as mudanças fossem adotadas, o Brasil teria a mais moderna legislação do mundo nessa área. O texto do projeto, resultado das discussões no período, entrou em consulta pública na internet em 2010 e a versão final foi mandada para a Casa Civil no final do governo anterior. Mas, agora, com a pasta sob o comando de Ana de Hollanda, ele provavelmente passará por novas mudanças.
Desde o começo do mandato da compositora, o MinC tomou a contramão. Logo em janeiro, a ministra desvinculou o selo Creative Commons do conteúdo do site e fez elogios ao Escritório Nacional de Arrecadação (Ecad), criticado pela falta de transparência no repasse de direitos autorais de músicas e principal adversário da reforma, que criaria um órgão governamental para fiscalizá-lo. Em entrevistas, apesar de afirmar que ainda não lera o texto, Ana deixou claro que compartilhava os mesmos pontos de vista das entidades que tanto se opuseram a ele.
A equipe que tocava a reforma saiu do Ministério. A Diretoria de Direitos Intelectuais foi ocupada por Marcia Regina Barbosa, que integrou o Conselho Nacional de Direito Autoral (CNDA) e já escreveu um artigo com o advogado Hidelbrando Pontes, conhecido defensor do copyright e ligado ao Ecad.
"Ganhamos a guerra, pode ter absoluta certeza", garante Roberto Mello, presidente da Associação Brasileira dos Músicos (Abramus), um opositor da política anterior do Ministério que se diz "bastante satisfeito" com a nova gestão. "Pode esquecer esses ativistas que estão protestando, eles já eram. O Ministério foi completamente desaparelhado", afirma.
RUPTURA
O que ainda se discute é o porquê de uma mudança tão radical em um governo de continuidade. "Tem sido feita muita pressão para que o Brasil adote uma linha mais amigável aos interesses dos EUA e para que siga suas recomendações em relação aos direitos autorais. A escolha de Ana de Hollanda e suas primeiras ações a esse respeito refletem isso", afirma o sociólogo Joe Karaganis, pesquisador do Social Science Research Council que chefiou um estudo de três anos sobre a pirataria em países emergentes.
Com os norte-americanos insatisfeitos, o Brasil poderia começar a sofrer retaliações comerciais. Por isso, o novo MinC teria decidido se alinhar à cartilha dos grandes conglomerados da música e do cinema. "As pequenas ações da ministra apontam basicamente para a realização da agenda da indústria cultural", afirma Pablo Ortellado, do Grupo de Políticas Públicas para o Acesso à Informação da USP.
O que Ana de Hollanda está fazendo - e dizendo - vai na direção do que quer a Aliança Internacional de Propriedade Intelectual (IIPA, na singla em inglês), entidade que reúne órgãos como a MPAA, associação que representa os estúdios cinematográficos, e a RIAA, representante o mercado fonográfico.
Em relatório divulgado da semana passada, a associação recomenda que o País endureça a legislação antipirataria. O Brasil foi classificado com um dos 40 países do mundo a se "prestar atenção". A entidade diz que a flexibilização da legislação é "inconsistente com um equilíbrio viável entre proteções e exceções", além de "desnecessária".
O estudo poderia ser só um retrato do que são os países na visão das indústrias que combatem a troca de arquivos e cópias ilegais, mas sua importância é bem maior e tem ligação até com a visita de Gary Locke a Ana de Hollanda na última sexta-feira.
A IIPA envia as informações ao Escritório de Comércio, que as usa na elaboração do "Special 301", uma lista anual dos países que não colaboram com a propriedade intelectual e que é usada como pressão em acordos comerciais bilaterais. Os EUA têm um mecanismo para ajudar países em desenvolvimento com a isenção de impostos na exportação de produtos, mas atrela o benefício justamente à maneira como eles cuidam dos direitos autorais. Quem desagradar perde o benefício.
Ortellado teme que, por medo, o governo brasileiro siga à risca as recomendações da indústria e evolua para políticas repressoras como a do "three strikes", que permite a retirada de conteúdo ou mesmo a suspensão da conexão de usuários acusados de infrações de copyright. O cenário catastrófico ainda não se anuncia, mas o pesquisador já arrisca um ponto final ao menos para o projeto formulado no ano passado: "A ministra vai sentar em cima da reforma. A posição da indústria é não mudar a lei".

via http://br.noticias.yahoo.com