Que tal se juntar a outros fãs de livros para comprar direitos autorais e tornar o acesso a eles grátis? Foi com essa ideia ousada que nasceu o Unglue.it, um serviço de crowdfunding para transformar títulos protegidos em ebooks creative commons.
Lançado em maio do ano passado, o site foi criado para ajudar leitores apaixonados a “descolar” (traduzindo o nome do site) os livros do controle das editoras para ter acesso a obras antigas, esgotadas ou que editoras não se interessem mais em publicar. Mas os autores não saem perdendo com isso! O pagamento aos criadores é feito por meio do financiamento coletivo – e as pessoas que quiserem participar podem doar qualquer quantia.
Se o valor estipulado pelo direito do livro for alcançado, a obra ganhará uma versão em ebook, sob uma licença creative commons. Isso significa que qualquer pessoa pode ler, baixar e compartilhar o ebook livre e legalmente. “Significa dar ao mundo o seu livro favorito”, acreditam os criadores do serviço. Inspirador, não?
O primeiro sucesso da plataforma foi disponibilizar, de graça e com novos recursos, a obra Literatura Oral na África, de Ruth H. Finnegan. Na ocasião, em agosto de 2012, a autora declarou estar maravilhada com a possibilidade de a pesquisa ser lida livremente no continente estudado. Outros livros também foram “descolados” pelo site, como:
Entre os livros mais desejados pelos usuários do site estão O Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams, Uma Breve História do Tempo, de Stephen Hawking, e Revolução dos Bichos, de George Orwell. Quais são os seus livros favoritos que você gostaria que fossem “descolados”? Compartilhe com a gente nos comentários!
Ir para a faculdade ainda é um plano quase unânime para jovens americanos, que se preocupam desde o início do ensino médio com suas notas – um dos critérios usados pelas instituições de ensino superior para selecionar estudantes – e em como vão pagar pelo curso mais tarde. Quase. Nos últimos anos, o aumento do desemprego e índices crescentes de graduados que passam dificuldades para honrar o crédito estudantil recebido antes da formatura fazem com que uma parcela deles questione a validade do curso superior. Para esses adolescentes, ou outros que ainda não pensaram nisso, um livro lançado este mês nos Estados Unidos – Hacking your Education (Hackear sua educação, em livre tradução) – incentiva a largar a faculdade e dá dicas de como aprender – e muito - fora das salas de aulas.
Dale Stephen largou a faculdade e fundou um movimento pelo auto-aprendizado nos EUA
O autor da obra, Dale Stephen, de 21 anos, desistiu dos estudos formais quando estava no segundo semestre e recomenda a experiência. Ele é líder do movimento sem fins lucrativosUncollege (sem faculdade), cujo site foi lançado em 2011 para difundir a ideia de que é possível ter sucesso sem colocar os pés em uma universidade.
À época, descontente com o ambiente e o conhecimento que estava adquirindo no curso superior, decidiu que iria se desenvolver sozinho e transformar isso numa causa para revolucionar a educação. Para botar o projeto em prática, contou com a ajuda de US$ 100 mil (cerca de R$ 200 mil) do Thiel Fellowship , um programa que escolhe 20 jovens com menos de 20 anos por ano para abandonar a faculdade e se dedicar a algum projeto fora dela.
Dois anos depois, Stephen já concedeu inúmeras entrevistas, escreveu artigos, deu palestras, promoveu seminários e agora lançou seu livro pela editora Penguin. Em todos esses meios, o conceito essencial repetido por ele é o mesmo, de que o investimento realizado para cursar uma graduação nem sempre traz o melhor retorno e aprender sozinho fica cada vez mais fácil, através das informações disponíveis na internet.
“As pessoas aprendem de formas diferentes, em velocidade e tempo diferentes. E hackear a educação permite que você aprenda o que, quando, como e onde quiser”, explica Stephen em seu blog. Segundo ele, não é preciso ser um gênio para se sair bem fora da escola, mas ter criatividade e confiança.
Divulgação
Livro ensina como a aprender sozinho
No site Uncollege há uma sessão com recursos de educação online, como o Coursera (de uma universidade tradicional) e outros independentes, como o creativeLIVE (de aulas ao vivo gratuitas com experts em vários temas), dicas de como planejar a educação informal, leituras sobre o tema e entrevistas com profissionais bem sucedidos que desistiram da faculdade. O livro apresenta o mesmo tipo de conteúdo, aprofunda as razões pelas quais Stephen acredita tanto no que chama de auto-aprendizagem e ensina como encontrar mentores, construir redes de contatos, onde achar conteúdos e como reuni-los de forma a desenvolver a própria educação.
Curso
Além do livro, para quem quer seguir esse caminho, o defensor do ensino informal, também oferece um curso. O programa especial chamado Gap Year conduz 10 pessoas ao longo de um ano no processo de auto-aprendizado. No treinamento, os aprendizes recebem aulas para desenvolver um plano de aprendizado individual durante três meses em São Francisco, viajam para o exterior por mais três meses e entram em contato com pessoas e empresas inovadoras, desenvolvem um projeto pessoal nos três meses seguintes e terminam o programa trabalhando no que ele chama de "mundo real", durante mais três meses. Tudo isso, por US$ 12 mil (R$ 24 mil). Mas Stephen garante que dá para chegar ao mesmo objetivo por bem menos, apenas transformando a vida em educação e vice-versa.
Nada é original, diz Kirby Ferguson, criador de 'Tudo é um Remix'. De Bob Dylan a Steve Jobs, ele afirma que nossos criadores mais celebrados pegam emprestado, se apropriam e transformam.
Cathy Casserly, CEO da fundação Creative Commons, escreveu um texto no blog oficial do YouTube nesta quarta-feira (25/07), comemorando os mais de 40 milhões de vídeos publicados na rede social com a licença CC e convidando os usuários do site a remixá-los.
"Qualquer um, em qualquer lugar, pode editar, criar em cima e republicar a biblioteca de vídeos gratuitamente graças à licença Creative Commons", escreve Casserly, que comemora o equivalente a 40 anos de material audiovisual liberado para qualquer um no YouTube.
Criada em 2001, a licença alternativa ao copyright permite que criadores liberem suas obras com apenas alguns direitos reservados, permitindo que o material seja reutilizado ou reapropriado em outras formas. Além da biblioteca de vídeos no YouTube, existem outras páginas com trabalhos liberados para o uso comum. O site ccMixter, por exemplo, reúne milhares de músicas disponíveis sob a licença e que podem ser reutilizadas. O Flickr e o Google também contam com filtros específicos para fotos em CC.
Para saber mais sobre as regras do Creative Commons no YouTube e as regras para utlizá-las, clique aqui.
Maior site de financiamento coletivo do mundo, o Kickstarter dedica uma seção inteira a projetos que serão licenciados via Creative Commons e estarão disponíveis para a reprodução, depois de financiados. As informações são do blog de Tatiana de Mello Dias, no caderno Link do Estadão.com.
Entre os projetos estão jogos eletrônicos, livros, discos, filmes, animações, entre outros. A fotógrafa Jung Kim, por exemplo, pede ajuda para financiar um álbum e exibições em Asutin, Nova Iorque e Los Angeles (EUA) com suas imagens do trabalho do músico Daniel Johnston. A artista promete disponibilizar muitas das fotografias em licença Creative Commons.
Alguns projetos já conseguiram o investimento inicial, caso do documentário sobre o site de compartilhamento Pirate Bay, que alcançou duas vezes o valor pedido. O Musopen, projeto que busca doações para comprar músicas clássicas e disponibilizá-las em domínio público, já arrecadou mais de US$ 68 mil – seis vezes o que havia sido inicialmente proposto.
O mais recente livro de Lawrence Lessig, Remix, agora está sob licença Creative CommonsFree. Você pode fazer o download da obra, que versa sobre a cultura do remix (retrabalhar obras de outros artistas), no link abaixo. Kutiman seria um bom exemplo das idéias defendidas pelo autor.
Lessig é o criador do Creative Commons, que busca flexibiliar os direitos autorais. Vale a pena conferir o vídeo da palestra que ele fez na TED Talks.